domingo, 19 de outubro de 2014

Gosto de Meninos e Meninas

As pessoas precisam aprender que, não importa sua cor, sua origem, seu sexo, sua atração sexual, seu gosto musical, sua mania, seus fetiches e suas desilusões, todo mundo é humano nessa porra.
E talvez seja esse o problema, humano. Ser humano se apaixona, faz poesia, escreve música, faz boas ações, mas mesmo assim, é o ser humano quem criou a bomba atômica, é o ser humano quem destrói as florestas, o ser humano que é corrupto. O ser humano que é egoísta. O ser humano quem julga.
O preconceito está enraizado no ser humano. Independente do tipo de preconceito. Alguém pode achar um absurdo o racismo, mas acaba por ser sexista. Todo mundo tem preconceitos. Eu tenho preconceitos tanto quanto você tem. É da nossa espécie.
Vivo em uma sociedade onde a maior parte das pessoas tem mente fechada. Qualquer coisa que você disser para elas, é um tipo de novidade.
Quando eu era pequena, lá pelos treze anos, eu me apaixonei. Mas não foi a paixão de uma garotinha se despedaçando por um garotinho. Não. Foi uma garotinha apaixonada pela melhor amiga.
Eu sabia bem o que eu era, e sabia bem o que as pessoas pensavam daquilo. Alguém que é atraído por meninos e meninas? Nossa! Um pecado! Que absurdo! Deixem seus filhos longe dela!
Era como se houvesse sempre algo entalado em minha garganta. Implorando para sair. E o que eu fazia? Bebia água e torcia para que os segredasse desentalassem. Mas não era bem assim. Não era fácil assim. Pessoas próximas a mim precisavam saber, e eu não via nada de errado com minhas atrações. As pessoas ao meu redor faziam comentários pejorativos sobre pessoas atraídas por outras do mesmo sexo, e eu ficava calada, o segredo ainda mais entalado na garganta. Eu queria enfrentar aquelas pessoas, dizer que não é bem assim. Que a gente também é gente.
Eu fui assumindo aos poucos. Ao meu melhor amigo, à minha melhor amiga, e depois aos meus pais. Foi tudo passando a ficar bem. As pessoas que sabiam eram queridas, e não viam problema algum.
Dos quinze anos adiante, eu namorava com meninos e meninos. Eu nunca fui do tipo de sair de casa e ir às festas. Sempre fui monótona e reservada. Um domingo assistindo filmes antigos, uma saída ou outra ao parque, de vez em quando curtir um baseado e às vezes, quando era conveniente, ir ao shopping.
Festas? Boates? Barulho? Gente suada se esfregando?
Não. Nunca gostei disso.
As coisas começaram a dificultar. Quando me assumi ao mundo, eu e minha namorada, as pessoas me olhavam torto. Me olhavam com nojo, como se eu fosse um tipo de aberração.
Pior era quando me diziam: "Ah, mas você está só confusa!"
Então me diz, como eu posso ser tão "confusa" por quatro anos consecutivos?
Sinceramente, as pessoas não deveriam se rotular, pois se rotular é a pior coisa do mundo. Eu amo demais, e amo as pessoas convenientes.
Se alguém é inteligente, mente aberta, engraçado, agradável aos seus olhos e te ama, de que importa o sexo? Os toques são os mesmos, os beijos são os mesmos, o amor é o mesmo.
Não deixe a sociedade te atingir como uma onda de uma maré forte faz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário